O Presidente angolano, por inerência de ser o Presidente do MPLA (no Poder há 50 anos), disse hoje que o executivo do país continua empenhado em garantir a criação de melhores condições de vida para os cidadãos e a priorizar a área social.
Numa mensagem de fim de ano, João Lourenço salientou que o executivo vai continuar a priorizar os sectores da saúde, educação, habitação e a assistência social, e frisou que o recente censo populacional revelou existirem mais de 36 milhões de angolanos no final de 2024 (mais de 50% são pobres) e uma tendência de crescimento, o que implica maiores responsabilidades para a governação, exigindo ao mesmo tempo o contributo de todos para a construção da nação e preservação das conquistas já alcançadas.
O general João Lourenço garantiu que o Governo vai continuar a consolidar as instituições democráticas, enquanto edifica as infraestruturas indispensáveis ao desenvolvimento harmonioso do país.
Segundo o Presidente (não nominalmente eleito e também Titular do Pode Executivo), o executivo continua com os seus programas para garantir a criação de melhores condições de vida para os cidadãos, incentivando, por outro lado, o crescimento do setor privado e cooperativo da economia, para a criação de mais empregos e o aumento da oferta de bens essenciais de consumo.
Embora continue a tentar ensinar os angolanos a aprender a viver sem comer, o MPLA não tem tido grande sucesso. O Angolano que mais perto esteve de atingir este desiderato revolucionário… morreu pouco antes. Isso, é claro, não impede o general João Lourenço de garantir que o MPLA fez mais em 50 anos do que os portugueses em 500.
“Neste ano tão especial, representantes de todo o mundo estiveram entre nós em diferentes momentos e enalteceram o que temos vindo a fazer, encorajando-nos a prosseguir com as nossas realizações”, frisou.
O Presidente da República de Angola apelou ao “gesto solidário a favor dos angolanos” que necessitam de cuidados por doença ou por não terem superado algumas das carências que mais afligem os cidadãos.
João Lourenço destacou os 50 anos de independência angolana comemorados este ano “num clima de paz e harmonia”, oportunidade em que os angolanos partilharam igualmente “momentos de grande emoção, com um espírito de comunhão e esperança no futuro”.
“Cumprimos várias jornadas no decorrer dos quais a pátria reconheceu o contributo dos seus melhores filhos provenientes de todos os estratos na nossa sociedade, que se distinguiram na conquista e consolidação da nossa independência nacional, na manutenção da paz e da reconciliação nacional, assim como no processo de construção nacional e no de desenvolvimento económico e social do país”, disse.
O chefe de Estado sublinhou que em muitas das manifestações públicas das celebrações dos 50 anos de independência foi possível constatar que “os angolanos continuam unidos e empenhados em procurar encontrar as melhores soluções” para os problemas que enfrentam.
A World Vision Angola apoiou mais de 980 mil crianças vulneráveis, durante 2024, em 16 províncias do país, com a implementação de vários projectos de resposta a emergências, revelou a organização não-governamental de ajuda humanitária. Mais uma prova da criminosa incompetência de quem está no Poder de um país rico há 50 anos.
Numa nota sobre a resposta da World Vision Angola à seca e malnutrição (forma eufemística de dizer fome) em Angola, esta organização referiu que o sul de Angola continua a sofrer com a seca severa causada pelo fenómeno meteorológico El Niño de 2023/2024.
De acordo com organização, o sul de Angola enfrenta secas já há cinco anos consecutivos “e muitas famílias esgotaram os seus alimentos e reservas vivas, como gado e pequenos animais (principalmente cabritos e galinhas)”.
Para fazer face à situação, “muitos recorreram a outras actividades geradoras de renda, como a produção de carvão e a colecta de lenha”. Relembre-se que estamos a falar de um país independente há 50 anos e que, ainda hoje, não conseguiu atingir os valores de desenvolvimento económico e social (entre outros) que Angola atingiu em 1974.
“A falta de produção agrícola foi exacerbada pelos altos preços dos alimentos básicos, como farinha de milho, feijão e óleo vegetal, que chegam a estar três vezes mais caros do que no mesmo período do ano passado. Isso também está impactando as comunidades urbanas e periurbanas”, sublinha-se no documento.
Ao longo de 2024, a World Vision Angola implementou projectos de resposta a emergências com o financiamento de vários parceiros, cujas acções se basearam na identificação de crianças com malnutrição aguda severa e moderada, por agentes comunitários de saúde, encaminhando-as para unidades de saúde para tratamento com suprimentos terapêuticos e suplementares.
Foram também distribuídos vales alimentares e cestas básicas para famílias com crianças afectadas pela malnutrição aguda severa e moderada, para garantir que os suprimentos terapêuticos e suplementares não sejam compartilhados entre as crianças da família.
As acções incluíram ainda a reabilitação de pontos de água, alimentados por energia solar em comunidades rurais, para garantir o acesso à água potável às famílias e seu gado, tendo também distribuído uma mistura de milho/soja com óleo vegetal e açúcar, para crianças de até dez anos, em Centros de Alimentação Comunitária.
Para a resiliência das comunidades, a World Vision Angola apoiou Escolas de Campo para Agricultores, treinando-os em diferentes técnicas de agricultura de conservação, uso de variedades de sementes de ciclo curto e resistentes à seca, e com técnicas para regeneração de áreas desmatadas, entre outras.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) tratou 100.000 crianças angolanas desnutridas (com fome, em bom português), de três províncias, com a administração de suplementos nutricionais, afirmou o chefe de secção de Saúde e Nutrição desta agência da ONU.
Segundo Frederico de Brito, prelector do tema “O Impacto da Desnutrição na Vida das Crianças”, num ‘workshop’ promovido pela (onde todos estão mais do que bem… nutridos) Assembleia Nacional de Angola, alusivo ao Dia Internacional da Família, as intervenções foram então realizadas nas províncias da Huíla, Benguela e Cunene, zonas afectadas pela seca e por 50 anos de uma governação criminosa e incompetente.
“Esta é uma intervenção que estamos a fazer com apoio dos nossos parceiros, a USAID [Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional] e a União Europeia, no âmbito das respostas às mudanças climáticas à zona sul de Angola”, referiu Frederico de Brito, em declarações à imprensa.
Frederico de Brito disse que as intervenções foram feitas em hospitais, quer com a mobilização de nutrientes, leites terapêuticos e produtos terapêuticos para consumo imediato, seguindo um protocolo de tratamento, “que faz com que elas sejam rapidamente tratadas”, salvando as crianças “de uma progressão de desnutrição grave”.
O apoio envolve também a formação de mães, para assegurar que a partir de alimentos existentes na comunidade seja dada alimentação adequada às crianças.
Ou seja, são tratadas as crianças que nem peixe podre e fuba podre têm, enquanto os dirigentes do regime, tanto a nível municipal, provincial e nacional se alimentam de trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas e umas garrafas de Château-Grillet 2005…
“Foi um grande sucesso esses resultados, salvamos vidas, mas com a participação do Governo”, frisou Frederico de Brito, escondendo que, na realidade, as nossas crianças são geradas com fome, nascem com fome e morem pouco depois com… fome.
Baseando-se nos dados possíveis e oficiais e na situação do país Frederico de Brito disse que a percepção da Unicef “é que a questão da desnutrição ainda continua crítica em Angola”. Claro que continua. Importa, contudo e em abono do Governo do MPLA (no Poder há 50 anos), alertar que quem analisar as estatísticas deve, obrigatoriamente, fazer médias analíticas. Isto é. Se o João (neto do Presidente João Lourenço) comer por dia um cordeiro assado com cogumelos, e o Miguel (filho da Maria zungueira) nada comer, em média o Miguel comeu meio cordeiro assado com cogumelos…
Recorde-se que, em Julho de 2008, os líderes das oito economias mais industrializadas do mundo (G8), reunidos no Japão numa cimeira sobre a fome, causaram espanto e repúdio na opinião pública internacional, após ter sido divulgada aos órgãos de comunicação social a ementa dos seus almoços de trabalho e jantares de gala.
Reunidos sob signo dos altos preços dos bens alimentares nos países desenvolvidos – e consequente apelo à poupança -, bem como da escassez de comida nos países mais pobres, os chefes de Estado e de Governo não se inibiram de experimentar 24 pratos, incluindo entradas e sobremesas, num jantar que terá custado, por cabeça, a módica quantia de 300 euros.
Trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e uma selecção de queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas eram apenas alguns dos pratos à disposição dos líderes mundiais, que acompanharam a refeição da noite com cinco vinhos diferentes, entre os quais um Château-Grillet 2005, que estava avaliado em casas da especialidade on-line a cerca de 70 euros cada garrafa.
Não faltou também caviar legítimo com champanhe, salmão fumado, bifes de vaca de Quioto e espargos brancos. Nas refeições estiveram envolvidos 25 chefs japoneses e estrangeiros, entre os quais alguns galardoados com as afamadas três estrelas do Guia Michelin.


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